Para finalizar este estudo de caso voltei ao processo percorrido por mim na analise desta com o intuito de identificar elementos que evidencie a importância, as descobertas e meu crescimento ao longo da interação com o aluno, com a sua família e com escola que o acolheu.
A escola onde Maurício estuda vem modificando sua estrutura física como: adaptação com rampas, portas de acesso mais largas para passagem de cadeirantes, instalação de lavatório especial e fraldário, mesas especiais... para oferecer a este aluno condições adequadas de desenvolvimento, interação...
Observei que somente algumas salas foram adaptadas com rampa, por exemplo, o que delimita o acesso deste aluno nas dependências da escola. Contudo percebo que por Maurício apresentar somente deficiência física e não necessidades educacionais especiais à instituição não se prepara com salas de recursos que disponha de um profissional qualificado. Entende-se que as mudanças vão ocorrendo no momento em que as necessidades surgem, porém, isso faz com que ao acolher um aluno com necessidades educacionais e ou físicas especiais às mudanças serão automaticamente necessárias é decorrente disso, recebido na escola como “aquele que provocou todas as adaptações”, gerando então um olhar diferenciado sobre o mesmo.
O aluno por não apresentar necessidades educacionais especiais consegue acompanhar o ritmo da turma, sendo este avaliado da mesma forma como os demais, através de parecer, que valoriza o processo de construção e não somente a aprendizagem como produto final. Os pareceres possibilitam uma descrição minuciosa de tudo que o aluno faz de todo seu progresso, assim como de suas limitações e necessidades de mais estudo, de mais construção.
Maurício apresenta comprometimentos de seu aparelho locomotor que compreende ao seu Sistema Muscular, (membros inferiores) aos quais produzem algumas limitações, como fazer determinadas atividades de Educação física.
O aluno é estimulado a exercer sua autonomia, não se deixando afetar por sua limitação física. Ele, mesmo não tendo sensibilidade nas pernas se locomove arrastando-se, não necessita de ajuda dos colegas para realizar as atividades, que por sua vez possibilitam que o sujeito otimize suas potencialidades, transformando o ambiente em busca de uma melhor qualidade de vida. A professora esforça-se para adaptar suas atividades para que o aluno consiga realiza-las.
A autora Lenise Pistóia em seu texto “A rede de interações como concepção pedagógica: Alternativas no espaço da sala de aula com os alunos em situação de desvantagem”, diz que:
“(...) dentre inúmeras finalidades, permite ao professor aprender a lidar com classe heterogêneas, com conteúdos curriculares diferenciados e adaptados, utilizando estratégias de ensino, de acordo com as especificidades destes alunos.”
Devemos então valorizar as peculiaridades destes alunos, evidenciando suas habilidades, estas que provem de suas experiências de vida. É necessário que o professor esteja reparado para desenvolver atividades diferenciadas que possibilite que o aluno utilize-se de seus conhecimentos prévios, mas que, como nos diz Paulo Freire, não fique girando em torno deles, e sim possibilite supera-los.
Lenise Pistóia ainda diz que:
“Para ensinar a turma toda, parte-se da certeza de que as crianças sempre sabem alguma coisa, de que todo o educando pode aprender, mas no tempo e do jeito que lhe são próprios” (Texto: Diversidade e currículo – pág.7)
De forma geral a avaliação dos educandos deve levar em consideração o processo percorrido, as influências existentes na formação social do indivíduo, assim como as limitações e potencialidades que demonstrarão as habilidades de cada um. Não pode-se esperar que todos aprendam as mesmas coisas e tenham a mesma visão sobre o mundo. Freire nos diz que “...A explicação do mundo desses grupos faz parte da compreensão que possuem da sua própria presença nele...”, por isso é necessário avaliar considerando estes aspectos.
Durante este semestre, através deste estudo de caso e com as leituras propostas compreendi que a inclusão não é por si só uma tarefa fácil, mas que se a escola estiver planejada em sua estrutura física, assim como pedagógica, curricular para receber a diversidade esta estará valorizando e trabalhando as peculiaridades de cada sujeito, possibilitando a estes compreender o mundo conforme suas experiências e ao mesmo tempo serem sujeitos autônomos no seu processo de desenvolvimento e construção de aprendizagens.
A escola que acolhe Maurício demonstra esforçar-se para oferecer um ambiente em que este se sinta pertencente. O aluno já evoluiu muito e hoje desenvolve muitas atividades, que serão utilizadas em toda sua vida, como locomover-se com a cadeira de rodas, sozinho, sem mais necessitar de ajuda.
Contudo, é importante ressaltar que a escola de Maurício desde o início apostou em suas potencialidades e não julgou ser este incapaz de construir conhecimentos, ou de se desenvolver como sujeito social. As incapacidades, no entanto podem ser menores no momento em que os espaços permitam o acesso.
Comments (1)
Graciela Rodrigues said
at 10:45 pm on Jul 11, 2009
Ótimo texto Josiqueli. Articula de forma muito apropriada com as leituras e o seu estudo de caso. Apenas coloque de forma mais completa a referência a Paulo Freire, pois você faz uma citação de seus escritos. Abraços.
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